terça-feira, 14 de julho de 2015

Jóquei - Matilde Campilho

Somos intensamente acostumados a idolatrar e tirar o pó dos fantasmas, sejam eles já todo putrificados, já diriam os meus Doistoiévski, Brecht e Machado e até mesmo a louvar os novos enterros, Saramago, Galeano, não é? 

Mas, como é bom, como é bom, sentir a vivacidade de uma boa literatura, de  conseguir, aos meus vinte anos, saber que há produção de qualidade sendo executada, muitas vezes em frente ao mar de Copacabana, ou em um café em Lisboa, os quais, na correria, a gente nem nota, mas que sim, ainda existem nômades, caminhando pelas ruas as vezes do Brasil, as vezes em Portugal, juntando palavras que de significante se tornam significado. 


Uma mulher linda, já quebrando alguns dogmas estéticos que a elite intelectual prega, chegou na FLIP, conhecida por 100, 200 ou mais talvez, e saiu com o recorde de livros vendidos na maior feira literária do Brasil. Uma hora e meia na mesa "A poesia em 2015" foi o necessário para Matilde Campilho mostrar sua capacidade, sua intensidade e até mesmo sua humildade.



Jóquei, o primeiro livro publicado pela poeta, choca pela beleza e vivacidade que tem. Seus textos misturam um caráter urbano, com outros sobre o genoma e conseguem até afirmar, com intensa poesia, que “existe um salmão dourado, onde o amor sempre dança”.

Confesso que li metade do livro aguardando a fila de mais de cem pessoas querendo um autógrafo em sua obra (e sim, fui uma delas), mas reli, reli e reli, em busca de enxergar a necessidade de cada palavra em cada texto, uma busca vã, visto que a própria autora exalta a intimidade de cada palavra selecionada.



No fim, talvez não tenha compreendido tudo aquilo que queria, mas meus olhos se abriram para a literatura atual, para os novos autores, que estão borbulhando seja em Lisboa ou no Rio. Autores esses com a capacidade de me emocionar ao me fazer refletir que, realmente, estamos aqui “para dançar um pouco sobre os escombros”. 

Um dos poemas, o meu preferido, declamado, com o sotaque encantador, pela Matilde na FLIP 2015.



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